Marcia Valéria David - Poesias
Você não me aprende, Nem me desliga. Também não me segue. Rede antissocial.
por Marcia Valéria David (Marcia David Poeta)
10.4.25
23.1.25
15.8.20
12.8.20
16.11.19
12.7.18
3.4.17
Corro pro Mar
e vamos navegando mar adentro
sem temer as ondas
sem se esquivar da chuva
deixando que velas leves
nos deem a direção
do vento, da correnteza, do céu
noite de estrelas
que guiam o seu olhar
pro meu caminho
pro nosso andar
estradas que se cruzam
corpos que se navegam
rotas de partida e de chegada
e de encontro ao luar
Fora de hora
eu gostei
do inesperado tema
a chuva
surpresa
fora de hora
passada a vida
ultrapassado o limite
não deu tempo do abrigo
nem de passos largos
só abri os braços
e permiti que corresse o corpo
revirasse os cabelos
me fechasse os olhos
e beijasse o rosto
a alma
Tempestade
a sangue frio
um arroubo, um arrebatamento
entrou aos tropeços
coração adentro
esbarrou em medos
tristes olhares
romantismos serenos
se apossou do sofá, da sala
da vasta mansidão do nada
ocupando tudo
preenchendo largos sorrisos bobos
dedilhando corda por corda
desse instrumento torto
cheio de notas dissonantes
compôs música, tocou pra mim
tocou em mim
e distante desejei ter além da melodia
A sangue frio
me veio como folhas na água
ventania espalhando brasa
ardendo, queimando
tirando o sossego
treinando a monotonia pra ser cor
cores, vasto, denso, tenso, leve
flor
um arroubo, um arrebatamento
entrou aos tropeços
coração adentro
esbarrou em medos
tristes olhares
romantismos serenos
se apossou do sofá, da sala
da vasta mansidão do nada
ocupando tudo
preenchendo largos sorrisos bobos
dedilhando corda por corda
desse instrumento torto
cheio de notas dissonantes
compôs música, tocou pra mim
tocou em mim
e distante desejei ter além da melodia
A sangue frio
me veio como folhas na água
ventania espalhando brasa
ardendo, queimando
tirando o sossego
treinando a monotonia pra ser cor
cores, vasto, denso, tenso, leve
flor
30.3.17
Na Janela da Mente
Amanhã quando eu acordar
Me olha da janela
Traz contigo a flor mais bela
Pula e vem me dar
Conta como foi que a vida
Te inventou tão linda
E me fez sonhar
Joga seus cabelos-cachos
Por cima do rosto
Exalando o perfume
Que a memória vai deixar
Quando eu acordar
E se eu não te encontrar
Naquela tela
Que pintei tão cheia de cor
Vou lembrar da janela
Que se abriu pra ela
Lembrança contente
Do cabelo perfumado de flor
Me olha da janela
Traz contigo a flor mais bela
Pula e vem me dar
Conta como foi que a vida
Te inventou tão linda
E me fez sonhar
Joga seus cabelos-cachos
Por cima do rosto
Exalando o perfume
Que a memória vai deixar
Quando eu acordar
E se eu não te encontrar
Naquela tela
Que pintei tão cheia de cor
Vou lembrar da janela
Que se abriu pra ela
Lembrança contente
Do cabelo perfumado de flor
27.3.17
2.6.16
Impressões
![]() |
Foto: Marilena Guimarães Casa de Claude Monet Giverny - França Primavera - 2016 |
Me dê um aviso
Da sua chegada
Um pássaro levado ao vento
Que pousa na minha janela
Me dê um dia da sua Primavera
Me dê um dia de sol e de quimera
Rego as flores
Planto cor no quadro do pintor
Impressões nítidas da sua luz
Planto gosto na língua
De se deixar viver
De se deixar encantar em pétalas e asas
Voar não sai da minha cabeça
Me dê o céu
Me dê nuvens pra desbravar
Apago o breu
Te acendo em mim
Pra gente não se perder no escuro
A noite vai crescer em Lua
Cheia, imensa, amanhecendo em suor e vinho
Me dê um ninho
Eu guardo as asas
E fico bem mais
Em você
9.4.16
Asas ao Sol
Quando te olho sou menina
São as asas que me faltam
É o ar que não respiro
Avalanche de loucura em que me acho
E um pânico pueril do primeiro dia
Do primeiro beijo
Alegria esquisita de querer e não querer
Um temer sem se provar
Semear sem ter certeza do que brota
Quando você chega nada termina
Tudo é começo
Tudo é mar e brisa de primavera
Alto-relevo da sensação que não descrevo
Não me atrevo
Os pés que não se movem
A boca que não cala e se cala sem cessar
Quando você está eu permaneço
Quando você sorri
Esqueço que me faltam asas
E saio a voar
São as asas que me faltam
É o ar que não respiro
Avalanche de loucura em que me acho
E um pânico pueril do primeiro dia
Do primeiro beijo
Alegria esquisita de querer e não querer
Um temer sem se provar
Semear sem ter certeza do que brota
Quando você chega nada termina
Tudo é começo
Tudo é mar e brisa de primavera
Alto-relevo da sensação que não descrevo
Não me atrevo
Os pés que não se movem
A boca que não cala e se cala sem cessar
Quando você está eu permaneço
Quando você sorri
Esqueço que me faltam asas
E saio a voar
14.2.16
Indo
Tento grudar minha mão nas suas costas.
Num movimento torto de não te deixar ir.
Te vi sair tantas vezes que já não tenho certeza se volta.
Grudo minha mão nas suas costas enquanto você dorme.
E quando acorda, estão marcados em mim.
Dedos, unhas, pele...
Linhas acesas nos meus olhos.
É você de costas...
Ardendo nas minhas mãos.
Num movimento torto de não te deixar ir.
Te vi sair tantas vezes que já não tenho certeza se volta.
Grudo minha mão nas suas costas enquanto você dorme.
E quando acorda, estão marcados em mim.
Dedos, unhas, pele...
Linhas acesas nos meus olhos.
É você de costas...
Ardendo nas minhas mãos.
21.9.15
Então
Sei que deveria escrever uma poesia.
Porque cabe mais sol nesse sorriso.
Há mais doçuras pra dividir e trocar quando te olho.
Eu sei que deveria dizer a coisa certa.
Mas nem certeza se tem quando o toque incendeia.
Eu sei que deveria haver uma canção no fundo da cena, mas eu só escutei sua mansidão.
O cinema vazio, o filme na tela, e só tinha uma pessoa ao meu lado.
Eu sei que deveria fazer rima, e versos simétricos e bem elaborados.
Mas quem pode com a inesperada calmaria do mar?
O vendaval na areia, e a mudança das dunas?
Não existe forma poética que me diga como será essa espera.
Do abraço que sonhei, do beijo que senti no ar, do emaranhado de borboletas revirando o estômago.
Coloridas, asas fazendo cócegas.
A vida já me encanta agora com sonetos perfeitos.
Quem sou eu pra inventar letra de música?
Porque cabe mais sol nesse sorriso.
Há mais doçuras pra dividir e trocar quando te olho.
Eu sei que deveria dizer a coisa certa.
Mas nem certeza se tem quando o toque incendeia.
Eu sei que deveria haver uma canção no fundo da cena, mas eu só escutei sua mansidão.
O cinema vazio, o filme na tela, e só tinha uma pessoa ao meu lado.
Eu sei que deveria fazer rima, e versos simétricos e bem elaborados.
Mas quem pode com a inesperada calmaria do mar?
O vendaval na areia, e a mudança das dunas?
Não existe forma poética que me diga como será essa espera.
Do abraço que sonhei, do beijo que senti no ar, do emaranhado de borboletas revirando o estômago.
Coloridas, asas fazendo cócegas.
A vida já me encanta agora com sonetos perfeitos.
Quem sou eu pra inventar letra de música?
21.4.15
Sonhei
Foi uma viagem leve.
Daquelas que só acontecem em sonhos bons.
Caminhadas pro futuro.
Avião sobrevoando a minha cabeça.
Por favor, não comente.
Deixa que a intimidade do absurdo,
a cumplicidade do sonho nos esconda.
Foi um sonho bom.
Acordei sorrindo.
Acordei sonhando.
Acordei.
Bom dia.
28.3.15
Inútil
Eu sou o luxo da dor que deteriora a mente.
Cansativamente demente.
Repensando uniões inúteis.
Camaleão perdido na areia do tempo.
Deserto de tudo.
Feito mágica de sumir o corpo.
Corpo, queda, fútil, vazio, oco.
Tarde demais.
Cansativamente demente.
Repensando uniões inúteis.
Camaleão perdido na areia do tempo.
Deserto de tudo.
Feito mágica de sumir o corpo.
Corpo, queda, fútil, vazio, oco.
Tarde demais.
6.11.14
Flor de Casamento
E eu, que nunca fui santa, apareço com um terço na mão.
Dez Ave Maria, três Pai Nosso.
E uma vela pra Santo Antônio virado de cabeça pra baixo.
Casamenteiro fajuto que me deixou plantada no altar.
E eu, que nunca fui santa, de branco e flores na mão.
Pedindo ao santo das causas impossíveis, não me deixe chorar.
Quero um amor formoso, abastado, mas humilde, companheiro.
Não precisa ser santo como eu. Santidade não faz vista a ninguém
Quero mesmo é sacanagem. E que os santos não me ouçam.
Eu quero é me casar.
Dez Ave Maria, três Pai Nosso.
E uma vela pra Santo Antônio virado de cabeça pra baixo.
Casamenteiro fajuto que me deixou plantada no altar.
E eu, que nunca fui santa, de branco e flores na mão.
Pedindo ao santo das causas impossíveis, não me deixe chorar.
Quero um amor formoso, abastado, mas humilde, companheiro.
Não precisa ser santo como eu. Santidade não faz vista a ninguém
Quero mesmo é sacanagem. E que os santos não me ouçam.
Eu quero é me casar.
17.10.14
Lua Nua
Subo e desço da Lua.
Rodo e me enredo ao redor da sua rua.
E ela flutua no espelho.
E gira mundo.
Me leva junto.
Tudo num mergulho.
Face nua que não beijo.
(As surreais e oníricas ilustrações de Christian Schloe)
Rodo e me enredo ao redor da sua rua.
E ela flutua no espelho.
E gira mundo.
Me leva junto.
Tudo num mergulho.
Face nua que não beijo.
(As surreais e oníricas ilustrações de Christian Schloe)
6.9.14
Duendes
Eles habitam minha casa.
Enganam minha vista.
Enfeitam o jardim onde plantei mudas de folhas carmim.
Doidivanas, tropeço nos seus pés. Nada colho.
2.9.14
Miserável?
E eu te amava tão gentilmente
Que me feriu a frase torta da tua triste insanidade.
O que era doce se acabou, sucumbiu,
perdido em álibis fúteis, gestos reticentes
e sentimentos frágeis, moribundos.
Antes de teres partido, queria ter amado ainda mais gentil, pueril..
Talvez tivesse evitado a porta se abrindo,
o vento seguindo, sacudindo
e derrubando folhas de outono num inverno bem frio.
Vi um eu sozinho. Querendo o sonho, querendo a vida.
E tua condição mais meiga foi a miserável promessa.
De nunca ser, nunca estar, nunca querer...
quem dera nunca mais voltar.
Me deixar livre.
Me deixar amar em outros jardins mais férteis,
mais floridos de cores e manhãs frescas, sem dores.
Eu que nem rimava,
agora peço notas de uma melodia calma,
bem luz, versos harmoniosos, um soneto de Camões.
Que me feriu a frase torta da tua triste insanidade.
O que era doce se acabou, sucumbiu,
perdido em álibis fúteis, gestos reticentes
e sentimentos frágeis, moribundos.
Antes de teres partido, queria ter amado ainda mais gentil, pueril..
Talvez tivesse evitado a porta se abrindo,
o vento seguindo, sacudindo
e derrubando folhas de outono num inverno bem frio.
Vi um eu sozinho. Querendo o sonho, querendo a vida.
E tua condição mais meiga foi a miserável promessa.
De nunca ser, nunca estar, nunca querer...
quem dera nunca mais voltar.
Me deixar livre.
Me deixar amar em outros jardins mais férteis,
mais floridos de cores e manhãs frescas, sem dores.
Eu que nem rimava,
agora peço notas de uma melodia calma,
bem luz, versos harmoniosos, um soneto de Camões.
28.8.14
Sempre o Mar
(Foto: Marcia David)
Te Gosto (Marcia David Poeta)
Olhei pela janela e vi do que são feitos seus olhos.
Um mar de esmeraldas.
Um labirinto que me prende.
Vejo a criança, vejo a mulher, vejo o homem.
Tenho a sua diversidade marcada em mim.
Fogo que me acalma. Sede que se agrava e não durmo.
Deste tempo que não tive.
Daqui pra diante, seja o tempo que for, nem é muita coisa.
E reinvento, pelo meu querer, crio, anuncio.
Tenho liberdade poética.
Eu te entendo, você me entende.
Rimos uma da outra.
25.8.14
Sonho Surreal
Algumas das coisas mais belas que vi,
Sonhava. Perfilada pelas frestas,
Angustiava. Não podia tocar.
Só sentia cheiro.
Brotava água da língua exposta.
E o gosto do que não tocava.
(As mulheres surreais de Oleg Oprisco - fotógrafo ucraniano)
19.8.14
Afetos
Cortina, bordados, trama. Lembranças coloridas de afetos passados.
Desafetos do medo. Uma luz que se acende, uma delas se apaga.
Bolhas espocam no palco e a plateia de boca aberta.
Novos pensamentos e sentimentos recém-nascidos.
Tudo é novo. Tudo brota. Tudo caminha.
3.8.14
Atalho
Tomo uns atalhos pela vida,
Que quando parece que achei, perdi.
Desvio dilacerado do mundo.
Agruras do amor que me arrebatam de mim
20.7.14
15.7.14
Febre Surreal
Um sonho tão real que me queimou a pele.
Abriu portas e janelas.
Uma ventania insana
Acalmando minha febre.
Abriu portas e janelas.
Uma ventania insana
Acalmando minha febre.
pinturas surreais de Kylli Sparre feitas com fotos
16.6.14
Multicolorida
Tome nota de uma coisa.
Não criei as regras.
Não inventei um passado. Ninguém nasce desse jeito.
Escute bem, pois só vai ouvir uma vez.
O que me agride é o que te mata.
O que me ofende é o que te fere.
Eu renasço sempre que escolho.
Sempre que quero.
E quero hoje vida.
Arejada, multicor.
Sem silêncios indecisos.
Sem escolhas mal feitas.
Sem dúvidas, sem culpa.
A vida é minha orelha,
meu nariz.
11.6.14
Covardia
É a flor que não brota.
O sol por trás das nuvens.
Um rio sem veias, sem destino.
Covardia.
Um caminho sem volta.
Um dedilhar sem cordas.
Um tocar sem arrepios.
Covardia.
Mania de quem chora.
Lamenta e se esconde.
É o passar lá longe.
Sem olhar para o lado.
Sem respirar o perfume.
Covarde é alguém que não se deu.
Achando que se dar seria em vão.
Covardia é um coração que não bate.
Rebeldia que teima em não se deixar doer.
Não se permite cortar a pele.
Rasgar, gritar, adormecer.
E um covarde nunca lambe a própria ferida.
Nunca cultiva um jardim.
Não vê borboletas.
Não caça joaninhas.
Conta, medida, régua.
Estanque. Economiza até quando beija.
É frio, carcomido, doente.
Não te alisa, não te abraça.
Perde o melhor do dia.
A poesia de perder.
Recomeçar.
Ser outro, remoçado e louco.
26.5.14
2.3.14
Ideal
Sabe o que eu queria?
Te conhecer há mil anos. Recordar o que já sei.
Te reconhecer na rua e chamar por você.
Eu queria sentir seu cheiro mesmo quando você não está,
por estar na memória da saudade.
Aproveitar o espaço na cama pra saber que ali você vai estar.
Como já esteve.
Aguardar as horas que restam sem restar dúvida de que você vai chegar.
E saber que mesmo chegando vou sentir saudade
por saber que daqui pra mais tarde você vai a outro lugar.
Embrulhar seus sonhos pra presente e entregar na porta do seu dia.
Toda manhã te acordar sorrindo.
E lembrar do sorriso de resposta de ser feliz por estar,
apenas estar dentro de mim.
Te conhecer há mil anos. Recordar o que já sei.
Te reconhecer na rua e chamar por você.
Eu queria sentir seu cheiro mesmo quando você não está,
por estar na memória da saudade.
Aproveitar o espaço na cama pra saber que ali você vai estar.
Como já esteve.
Aguardar as horas que restam sem restar dúvida de que você vai chegar.
E saber que mesmo chegando vou sentir saudade
por saber que daqui pra mais tarde você vai a outro lugar.
Embrulhar seus sonhos pra presente e entregar na porta do seu dia.
Toda manhã te acordar sorrindo.
E lembrar do sorriso de resposta de ser feliz por estar,
apenas estar dentro de mim.
4.2.14
Palavra
é bem ali que moro.
nas curvas, pontos, aberrações de sentidos.
em linhas, oblíquas, retilíneas,
em voltas e vice-versa.
é sempre assim que me escondo.
entre pontos, vírgulas e parênteses.
reticente que vive e pensa
em pequenas palavras.
em versos breves.
na frase seguinte me sinto viva.
afagada pela língua do tempo.
é bem desse jeito que me movo.
enfeito páginas, rodapés e crepúsculos.
e quando me guardo,
me fecho no escuro do ócio.
revirada, destemida e largada.
na ponta da tinta,
sutil rabisco da dor.
nas curvas, pontos, aberrações de sentidos.
em linhas, oblíquas, retilíneas,
em voltas e vice-versa.
é sempre assim que me escondo.
entre pontos, vírgulas e parênteses.
reticente que vive e pensa
em pequenas palavras.
em versos breves.
na frase seguinte me sinto viva.
afagada pela língua do tempo.
é bem desse jeito que me movo.
enfeito páginas, rodapés e crepúsculos.
e quando me guardo,
me fecho no escuro do ócio.
revirada, destemida e largada.
na ponta da tinta,
sutil rabisco da dor.
6.1.14
Fotógrafo[go]
As fotografias me inspiram.
Guardam o momento propício da chama.
As imagens me liberam desse vício de me repetir.
Me acendem os olhos.
Arrumam a cama.
Verão Que [P]assa
É desse calor que me alimento.
Pele que arde, sal que invade.
É desse suor que me encharco.
Derrete, escorre e afoga.
Promessa de vento. Quente.
Temporal. Inunda, arremessa em brisa morna.
É isso que me segue. Tudo ferve.
Forno. Fogo. Fogueira.
Brasa, sopro e cinza.
E refaço.
Pele que arde, sal que invade.
É desse suor que me encharco.
Derrete, escorre e afoga.
Promessa de vento. Quente.
Temporal. Inunda, arremessa em brisa morna.
É isso que me segue. Tudo ferve.
Forno. Fogo. Fogueira.
Brasa, sopro e cinza.
E refaço.
21.12.13
Viuvez
que gosto tem olhar o tempo?
e admirar a distância entre querer e ter?
é um procurar em mim que não chega.
um rodear o véu que te esconde.
que gosto tem encontrar a saída?
debochar da vida, da certeza,
nem tudo está perdido.
ainda tenho os talvez, os porquês...
a viuvez dos sonhos.
e um emaranhado estranho.
sentir.
e admirar a distância entre querer e ter?
é um procurar em mim que não chega.
um rodear o véu que te esconde.
que gosto tem encontrar a saída?
debochar da vida, da certeza,
nem tudo está perdido.
ainda tenho os talvez, os porquês...
a viuvez dos sonhos.
e um emaranhado estranho.
sentir.
9.11.13
Volto ao Mar
Nem gosto tanto assim do mar.
Mas fico a admirar suas filhas.
Ele as deixa soltas.
E elas vêm e vão só pra me agradar.
Sabem que eu gosto de olhar.
Tanto que me perco.
E então viajo.
Num barco branquinho, que balança bem devagar.
Também queria ser filha do mar.
Por isso mergulho.
E esqueço-me do tempo.
O vento acorda os sonhos.
E eu volto a navegar.
18.10.13
Confortável
Do meu sofá vejo mundos improváveis.
Amarguras, frescuras e afins.
Aperto botões para mudar o rumo.
Mudar o tom, o som, a vida.
Pés na mesa, dias de preguiça
e notícias da rua.
De longe. Assim está bom.
De muito perto posso cortar os dedos.
Machucar a alma. Causar traumas.
E isso não convém.
Descer o elevador ou andar de trem.
Lotação esgotada.
Tumulto à vista.
Prefiro o meu sofá com desdém.
Amarguras, frescuras e afins.
Aperto botões para mudar o rumo.
Mudar o tom, o som, a vida.
Pés na mesa, dias de preguiça
e notícias da rua.
De longe. Assim está bom.
De muito perto posso cortar os dedos.
Machucar a alma. Causar traumas.
E isso não convém.
Descer o elevador ou andar de trem.
Lotação esgotada.
Tumulto à vista.
Prefiro o meu sofá com desdém.
2.10.13
Olhar
E se o que vejo são olhos de mistério?
Delírio, dança e desejo.
E se sou poeta posso ver mais distante.
Água da sua fonte.
Olhar de longe o que sinto tão dentro.
Avesso, reverso, intenso.
Não repara no seu nome?
Busca na tela do artista
O retrato do que seja.
Sentidos, semblantes, sentimentos.
Flutuo na sua íris.
Afundo no horizonte antes de dormir.
Olhar em direção diversa.
Me segue, cerca e abraça.
Me cega.
25.9.13
Sutil
À noite fico encantada
com suas sombras.
com suas sombras.
Deslizam pelo quarto,
pelos meus cabelos.
pelos meus cabelos.
Olho de lado e percebo
sua boca.
Olho adiante e te vejo
sair detrás das cortinas.sua boca.
Olho adiante e te vejo
Lilás, pelo vento, ardil.
23.9.13
Barco
E se eu sentar no seu barco nua da vida,
Esfrega no meu rosto a sua pele salgada.
Não me atire n'água. Não me afogue os beijos.
Me deixa adernar. Balançar de enjôo.
Prometo te observar com olhos de maré.
Navega por mim. Me leva daqui.
Esfrega no meu rosto a sua pele salgada.
Não me atire n'água. Não me afogue os beijos.
Me deixa adernar. Balançar de enjôo.
Prometo te observar com olhos de maré.
Navega por mim. Me leva daqui.
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